sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Pressão do Vestibular

Por: Rodrigo Ghedin

Existe coisa mais injusta que o vestibular? Aquele teste maldito para ingressar em um curso superior, regado a perguntas escabrosas, proporção de candidatos por vaga descomunal e, claro, toda a pressão psicológica que tal teste traz consigo.

Nós, seres humanos, independente de vontade própria, nos identificamos com determinadas áreas do saber. E isso é válido para todos, incluindo aí até o mais singelo dos matutos. Vale dizer também que, por mais completo e abrangente que um teste, de qualquer espécie, seja, é impossível avaliar a capacidade de alguém com base em algumas provas, feitas em dois ou três dias, sob as circunstâncias do vestibular.

Lendo o parágrafo anterior, fica óbvio os pontos em que o tradicional vestibular peca. A prova, os assuntos, matérias, enfim, o teor da avaliação, deveria vir de encontro com o curso almejado. Pra quê diabos um vestibulando do curso de Direito precisa saber Física!? Não tem lógica, é inútil! Não sou a favor do completo especifismo, me agrada mais a imagem do homem como um ser generalista, mas pra tudo há um limite. Reprovar alguém competente simplesmente porque este não domina uma área do conhecimento que em absolutamente nada influenciará sua vida acadêmica, e posteriormente, a profissional, é algo reprovável, sob qualquer aspecto.

Há toda uma mitificação em torno do vestibular. Sem sequer conhecer, saber como é um, rapazotes e meninotas no fim da adolescência vão fazer as provas como se fossem frangos indo para o abate. Criou-se uma consciência de que vestibular é difícil, coisa e tal. Pura besteira. É difícil, mas não tanto quanto a mídia pinta. Se há duzentos candidatos por vaga, logicamente que a probabilidade de haver um número maior de pessoas com conhecimento superior ao seu aumenta. Mas o mesmo vale para o contrário: há muita, mas muita gente menos privilegiada intelectualmente que tu. São poucos os que cultivam essa mentalidade, mas essa é a mais pura verdade. O que vale mais numa guerra: cinco leões, ou quinhentas ovelhas? Façam a analogia, reflitam, e saberão do que falo.

O que falta nessas horas é tranqüilidade. O negócio é esquecer de tudo e de todos, concentrar-se na sua prova, e só! Faça-a da melhor maneira, sem pressa, mas também sem tanta moleza. Quando faltar conhecimento, ou aquele branco aparecer e resolver ali permanecer, apele para a técnica do chutômetro. É tiro e queda.

Não condeno, nem julgo estarem errados os que se matam de estudar pra passar num vestibular. Às vezes, faz-se necessário. Mas, sei lá, é algo que eu dificilmente faria. Um pouco por preguiça, confesso, mas mais por evitar me sobrecarregar. Tudo que é demais, prejudica. E isso vale pra tudo, inclusive os estudos.

Então, quando estiver às vésperas das provas, relaxe! Faça algum programa para se distrair, afinal, se você não aprendeu determinado assunto durante toda a sua preparação para as provas, não será na véspera que, miraculosamente, o conteúdo será absorvido por sua mente. Às vezes, mais útil é um momento de distração, do que horas afundado em livros.

E aos que estão, ou irão prestar algum vestibular, boa sorte!

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